sábado, 27 de agosto de 2011

Quando fui chuva

Quando já não tinha espaço. pequena fui onde a vida me cabia apertada. Em um canto qualquer acomodei minha dança, meus traços de chuva e o que é estar em paz, pra ser minha e assim ser tua. Quando já não procurava mais pude então nos olhos teus, vestidos d'água, me atirar tranquila daqui, lavar os degraus, os sonhos e as calçadas.



E assim, no seu corpo eu fui chuva, jeito bom de se encontrar... E assim, no seu gosto eu fui chuva, jeito bom de se deixar viver.
Nada do que fui me veste agora, sou toda gota, que escorre livre pelo rosto, e só sossega quando encontra a tua boca. E, mesmo que eu te me perca, nunca mais serei aquela que se fez seca, vendo a vida passar na janela.


Maria Gadú.

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